29.1.09

Dia 5 - New York

Acordei cedo louca de vontade de sair do hotel. Lógico, os meninos, que voltaram da boate Under The Volcano + outros gay places que não sei, quase já amanhecendo, ainda estavam dormindo e não contei com eles pra sair. Peguei meu casaco, cachecol, boné, luvas e mochila (my NY winter attire) e fui. Primeira parada, café da manhã na Guy & Gallard. Ovos mexidos com queijo, suco de laranja e café preto.
Todo mundo que me conhece sabe que vivo de dieta, como que nem um passarinho (tá, isso é mentira), mantenho o meu peso ideal as duras penas, sempre brigando com a balança, um saco (que não tem fim) mas em viagem, é tudo ao contrário. Como MESMO, tudo e muito, bebo quase todos os dias, faço questão de todas as refeições, adoro escolher restaurante e experimentar pratos, até sobremesa, e normalmente volto pra casa bem mais gorda, e dessa vez não foi diferente (aliás, depois de 15 dias no Brasil, as minhas calças ainda não dão, então dá pra sacar que comi práaaaca). Tirei foto do café da manhã também. De lá, peguei um taxi e segui pro MoMA, com a intenção de ver a expo do Van Gogh, que estava no penúltimo dia, e outra do Vik Muniz.
Bom, ficou na intenção, porque a fila pra comprar ingresso fazia voltas no quarteirão. Mesmo assim, entrei, fiquei menos de um minuto e um funcionário da fila (controlador de fura-fila do MoMA), avisou que TODOS OS INGRESSOS PARA AQUELE DIA ESTAVAM ESGOTADOS. Priscila, você NÃO VAI VER Starry Night. Nem over nem under the Rhone. Foi aí que me dei conta da quantidade de turista em NY, claro, logo no dia 2 de janeiro, eu esperava o quê? São ainda os remanescentes do Reveillon + as pessoas que chegam depois (como eu) pra aproveitar diárias mais camaradas em hotel, liquidações etc. Não contava com essa impossibilidade de fazer meus programas culturais por causa de multidão, e fiquei bastante decepcionada.a foto da fila, não sei se dá pra ver bem, porque acabei tirando mesmo é da barraca de hot dog, estava com fome. a fachada. não me conformo......de ter perdido. O Vik Muniz, está aqui no Rio agora, tudo bem, posso ver a expo aqui, mas Van Gogh, provavelmente nunca vai ver a cor da noite carioca, ou mesmo brasileira. Tentei até comprar para o dia seguinte, mas não consegui nem chegar perto da bilheteria, que aliás, só vende ingresso para o mesmo dia. De lá, parti. Consegui apenas entrar na MoMA store pra comprar um guarda-chuva que olhava de vez em quando no site deles e morria de vontade de ter. Cheguei a me filmar fazendo um micro-depoimento pra minha câmera tamanha a minha decepção, ao mesmo tempo filmando aquela fila louca. Eu, que já ODEIO fila, não faço fila pra nada no Brasil, (só obrigadíssima e mesmo assim, puta que pariu!). Saí andando pelas redondezas, entrei numa Gap ali perto e quase saí sufocada. Muita gente, uma fila do caixa até a porta da loja pra pagar, uma bagunça surreal. Crise, que crise?a bagunça+fila na Gap.
Saí assustada e entrei na Prada. Vi todas as bolsas e carteiras que queria comprar, passei pelas vendedoras que atendiam suas clientes lindas, louras, ricas e japonesas, e fui embora, incrivelmente feliz por não ter gastado 1800 dólares na bolsa de couro envelhcido marrom escuro que está no topo da minha lista de desejo de consumo. "A" bolsa.
Me deu um certo alívio vê-la ali paradinha e não sacar o cartão de crédito, até porque...como iria pagar a fatura quando voltasse pro Brasil? Ou melhor, QUEM iria pagar, não tenho marido rico (ou marido at all), tô sem significant other (rico ou pobre) no momento, meu pai não é louco de me dar uma bolsa desse preço, e os meus rendimentos atuais não me permitem, pelo menos agora, comprar a bolsa mais maravilhosa desse mundo que estava ali me olhando, na minha cara, paradinha, inconformada com a minha atitude blasé de quem não tá nem aí. "ELA" de novo.
Ufa. Feliz (hahaha), saí de lá e continuei caminhando pela 5a. avenida até chegar na Apple Store, aquela do cubo. Como ninguém é de ferro (muito menos o dinheiro, que é de papel, e o cartão, de plástico) e macmaníaca que sou, entrei num transe. A loja estava abarrotada de gente mas nem me toquei. Não dei a míiiinima. Comprei alguns gadgets pro meu Imac: um adaptador para transformar o mac numa espécie de TV com DVR chamado Eye TV Hybrid, um teclado sem fio, porque quem tem teclado branco do Mac sabe que é preciso, sempre, ter um reserva porque suja pra kct, comprei um universal dock, que já estava precisando há algum tempo, um Ipod Touch pra minha sobrinha de presente, que eu tinha prometido, um Ipod Nano roxo pra minha mãe, um limpador de monitor. Na mesmíssima hora esqueci da bolsa(mas ela não esqueceu de mim, olha A bolsa aí de novo), da Gap, menos do MoMA, essa frustração de não poder ter visto o Van Gogh estando ali, na frente, vai me seguir para todo o sempre. Peguei um taxi e dei uma passada na Century 21, comprei lençóis, bota de couro, naquela loja-bagunça onde tudo é mais barato, mas não consegui ficar lá muito tempo porque, simplesmente, não dá pra mim. Muita gente, bagunça, barulho, filas, o que não me incomodou na Apple Store me deixou completamente esgotada na Century. Fiquei uns 20 minutos na fila pra pagar e voltei pro Hotel. A essa altura, já estava no meio da tarde. Almoçei um cachorro quente na barraca da esquina, e fui pro quarto. Nesse meio tempo, encontrei com Clayton e Jeff e marcamos de encontrar nossa amiga Jill Ryan, que mora lá, a noite. A Jill foi a minha primeira amiga em Lexington. Ela fazia uma aula de produção de TV comigo e eu, tímida e altamente reservada já estava há quase um ano em Lexington sem fazer amigos, a não ser uma brasileira (mas brasileiro não conta), a Ana Carolina, que logo se mudou pra Birmingham. Então, um dos trabalhos dessa aula era pra ser feito em dupla. Depois de todos os pares formados, sobrou eu e Jill. Naquele exato momento, ela passou a ser a minha melhor amiga da faculdade. Fazíamos tudo juntas, e uma noite fui estudar na casa dela. E ela morava com 2 roommates, um deles, o Clayton. Daí começamos a sair nós 3 e assim ficamos por quase um ano, até que a Jill se mudou. Nesse meio tempo conheci um montão de gente através dos dois, inclusive a Angie, Mia, e todos os outros amigos que viria a ter. Voltando. Não via a Jill há 6 anos, desde que estive em NY a trabalho em 2002. Combinamos de nos encontrar no apartamento de um amigo dela, o Brian, no Soho, e de lá sair pra jantar. Chegamos nesse loft fabuloso, decoração bacanérrima, que uma amiga do Brian super-híper-mega cool (produtora de moda da revista W) emprestou pra ele (que mora em LA) enquanto passava férias na França. Tirei algumas fotos do loft. Tomamos um vinho muito bom, zinfandel californiano, ficamos batendo papo e partimos para o restaurante Lucky Strike, na esquina. Eu, Jill, Clayton, Jeff, Brian, Jen (irmã da Jill) e Andrew (amigo do Brian) sentamos no bar, foi tudo de bom, comi um penne arrabiata que precisei trocar por que estava way too hot, bebemos vinho tinto, rimos muito...e depois demos uma passada numa boate chamada Cubbyhole. Fiquei nem meia hora, já cansada do longo dia, peguei um táxi sozinha (Clayton e Jeff iam esticar em algum lugar) voltei pro hotel e fui dormir. Clayton e Jilla salinha do loftadorei, tirei várias fotos da decoraçãoo quartinho, em cimavizooa cozinhaespelhotodo o charme de Brianbotas novasClayton e Jentodo o charme de Brian parte 2o Zinfandel da noitevista da janela do loftLucky Strikeeu e Clayton, Lucky StrikebarClayton + JeffLucky Strikemy hotter than hell penne, não deu pra comer. troquei por o mesmo, menos apimentado. Jill e BrianAndrew, Jill se escondendo, Brian.

Dia 4 - Lexington / New York

Acordamos cedo, fiz a minha mala e fomos para o aeroporto. Devolvi o carro na locadora, fizemos o check-in, e como tínhamos 1 hora de espera até pegar o voo direto da Comair (a cia. aérea regional da Delta) - Lexington-LaGuardia, almoçamos no restaurante DeSha's. O DeSha's original é no Victorian Square, downtown Lexington, e considerado um dos melhores da cidade. Esse é a filial do aeroporto, menor e que serve apenas comidinhas rápidas. Pra não fugir a regra, tomei um draft de Stella Artois e comi uma porção de "potato skins". Comprei algumas revistas pra ler durante o voo de 1:30 num aviãozinho Brasilia pequeno (de 40 lugares). Voo de 1:30 ou sentir MEDO durante 1:30 é a mesma coisa pra mim, ainda mais sem Lexotan. Por isso, virei uma estátua no meu assento, e tensa, não li revista alguma e nem reclinei a poltrona (que de qualquer maneira, soube pelo Clayton, reclinava apenas 1 centímetro, que aliás deve fazer uma diferença extraordinária! Quer ler? Cadeira ereta! Quem dormir? Cadeira 1cm reclinada pra trás!). as potato skins do DeSha's (+ 2,5kg!)chegando em NY. I LOVE NY!

Pálida e aliviada, pousamos em NY, pegamos um yellow cab, que imediatamente coloca qualquer turista no espírito novaiorquino, e seguimos para o Hotel. Bom, o Hotel foi uma boa surpresa. Sabíamos que era um hotel relativamente barato para o padrão de NY e não esperávamos grande coisa. Mas valeu cada centavo da diária. Quarto espaçoso, com cama king size, todo limpíssimo, até cozinha tinha, e wireless de graça. Fiquei sozinha num quarto e o Clayton e Jeff no quarto ao lado. Recomendo pra quem quiser: Marriott Residential Inn, fica na 6a. com a 39th, perto de Times Square, ou seja, bem localizado também. Aqui vai a foto que tirei do quarto logo depois que cheguei, e a foto da vista da minha janela também.

Chegou a hora de escolher aonde iríamos jantar e pedimos uma dica para a concierge, que nos indicou o Keens, cuja especialidade são carnes. Não é barato, paga-se por volta de 50 dólares por prato mais a bebida, mas a comida é divina. E o vinho que tomamos, melhor ainda. Pedi ostras de entrada e uma taça de chardonnay. Depois, comi um steak au poivre com purê de batatas e rachei com os meninos uma garrafa de Pinot Noir californiano. (Não anotei o nome dos vinhos, em tirei foto.) Eu costumava comer steak au poivre no Tout Va Bien, um restaurante francês muito bom e simpático em NY, e até então achava que era o melhor que já tinha experimentado, mas o Keens se superou. Além da comida espetáculo, a casa, do século 19, é toda enfeitada de cachimbos no teto e antiguidades pelo salão. Vale muito a pena e com certeza esse foi o melhor restaurante que fui nessa viagem, espero voltar em breve. Depois do jantar, voltei pro hotel. Clayton e Jeff foram aproveitar o resto da night, o que viria a ser uma regra nessa viagem: eles voltavam pro hotel, todos os dias, por volta das 6 da manhã, e eu sempre voltava sozinha por volta de, no máximo, 2AM. Devo estar ficando véia mesmo, por que não tenho mais o menooor saco pra boate, NEM em NY! Prefiro ficar inteira pra curtir muito o dia seguinte.

28.1.09

Dia 3 - Lexington

Esse foi, talvez, o dia mais movimentado. New Year's Eve Day, estava especialmente gelado, abaixo de zero, cinza. O último dia de trabalho do Clayton antes das férias, então saí de novo sozinha pela cidade no meu Prius alugado. Dessa vez, fui visitar o apartamento que eu morei, no Village Apartments, em 1997-1998. Já falei dele aqui no blog, inclusive com fotos. Peguei a Richmond Road, entrei na South Locust Road, no condomínio, estacionei o carro exatamente na "minha" vaga de 10 anos atrás, e fui até a porta. Não tive coragem de bater na porta, mas tirei foto. Mudaram a cor da fachada, era branco e verde, agora é off-white com branco.


Saí de lá relembrando meus dias com o Luca, tirei até foto do jardim em frente ao prédio aonde ele aprendeu a fazer suas necessidades (eu implorava "Luca pleeeease, faz xixxiiiiii, go peeeeeee, go pooooooooooooo, ele levou umas 30 idas no inverno gélido nesse jardim até aprender, mas depois nunca fez nada dentro de casa de novo, nem lá ou em outro lugar, jamais em tempo algum...eduquei bem :)). Aproveitando o clima de flashback 10 years-ago, resolvi almoçar num restaurante que eu sempre ia, bem pertinho da minha casa, o O'Charley's. Eu ia MUITO lá, principalmente por causa das saladas e das "fully loaded potato skins". Queria reviver um almoço típico daqueles tempos, que incluía um f***-se a dieta em altíssimo grau calórico. Pedi um prato de southwestern cheese potatoes de entrada e iced tea. Uma batata chips crocante por fora, macia por dentro, com queijo cheddar, molho de "cilantro" (como é isso em português), bacon, pimenta, salsa, cebolinha. Uma porção gigante que me impediu de comer outra coisa até a hora do jantar. Aí a foto da batata. Só aí devo ter engordado uns 11kg. Logo depois, ali ao lado também, dei uma passada no Wal-Mart pra comprar alguns itens de farmácia, e engatei num filme para passar logo o tempo. Queria chegar em casa quando o Clayton já estivesse lá. Como não pré programei essa ida ao cinema, entrei no filme que estava passando naquela hora, Yes Man, uma comédia com o Jim Carrey. Não esperei absolutamente nada desse filme, estava num clima levíssimo e queria mesmo ver uma comédia qualquer, mas tê-lo visto e nada, no final, deu no mesmo. Que porcaria. Esse não merece nem uma elocubração, um parágrafo sequer de "crítica", a não ser falar que Yes Man já faz parte da minha movie shit list. Nem mesmo a participação da Zooey Deschanel, ótima atriz e bela - me lembra uma Debra Winger jovem - ajudou, ao contrário, ela também estava chata, meio irritante até. Só pra finalizar, eu já assisti vários filmes do Jim Carrey e gostei de alguns. O ultra-mega criticado Dumb & Dumber (teve a infeliz tradução de Debi & Lóide no título em português) faz parte da minha coleção de DVDs e de vez em quando eu revejo....aah o Jeff Daniels tá impagável...será que devia ter falado isso aqui? Guilty pleasure, here we go. Eu tenho muitas, esse filme, se bobear, é a ponta do iceberg (e não tô falando de Titanic). Mas por enquanto as outras guilty pleasures (sorry, não tem uma tradução desse termo à altura em português) são segredo. Aos poucos, vou revelando....

Zooey Deschanel.
Saí do filme tonta depois de tanta besteira (e pipoca), fui pra casa, encontrei Clayton e Jeff, tomei banho, me vesti e fomos pra nossa festinha de Ano Novo no Mia's. Eis algumas fotos. Lá encontrei outros dois amigos queridos, o casal Tash & Carter Suter. Amo! Passei muitos dias ótimos com eles, que são um dos melhores amigos do Clayton. Inclusive, no meu último dia lá, teve uma festinha na casa deles depois de um jantar divino. Depois da meia-noite, fui dar um bordo na festinha que estava tendo no Limestone Club, pra me encontrar com a Angie e outras amigas. Fiquei pouco, bebi um draft, já estava cansada e preferi ir pra casa dormir do que emburacar com a galera.





Só uma curiosidade: o meu cabelo fica simplesmente ma-ra-vi-lho-so nos EUA, não sei se é por causa da água, da falta de umidade, seja lá o que for fica perfeito mesmo secando ao vento! Aqui no Rio, pra ficar assim, só fazendo uma boa escova no Angel Hair, o meu cabelereiro! Então tirei algumas fotos do meu cabelo no primeiro dia do ano. Parafraseando a Neide Aparecida: "...mas os meus cabelos, quanta diferença"! se ele fosse sempre assim...

Dia 2 - Lexington

Ainda exausta da viagem, dormi que nem uma pedra. Quando levantei, o Clayton já tinha ido pro trabalho. Tomei meu café da manhã sozinha, botei meus casacos, peguei o carro e fui dar um rolé pela cidade. Dia lindo, céu claro, temperatura em torno de 5 graus celsius. Passei pela Nicholasville Road novamernte, dessa vez pra passar horas e horas dentro do meu lugar favorito de todos os tempos: a mega-livraria Joseph-Beth Booksellers, que fica no Lexington Green Mall. Quando morava em Lexington, eu me perdia entre as centenas de estantes, lendo trechos de livros nos sofás confortáveis espalhados pela loja - lá existem exemplares "tester" de livros, ou seja, se você quiser pode lê-lo todo ali: podia pegar, especificamente, esses exemplares com uma faixa escrita "please read me", se aboletar numa poltrona, e esquecer do mundo lá fora. Eu normalmente lia um capítulo inteiro antes de levar pra casa, porque se chegasse no final, o livro valia a pena. Mas também comprava da maneira normal,depois de ler a orelha, ou pela capa mesmo: um dos aspectos mais fascinantes dos livros americanos sempre foram as capas. Na época, os livros brasileiros eram bem capengas em comparação, não existia um capricho editorial e gráfico como hoje (melhorou muito). Livro de capa dura, era coisa rara por aqui. E lá o normal sempre foi sair primeiro em capa dura, mais caro, com papel de alta qualidade e algumas capas que eram verdadeiras obras de arte, e depois em formato "pocket" ou "paperback", mais baratinhos. Nessa época, entre 1994-1998, essa era a única livraria desse porte na cidade, que ainda não tinha sua filial da Barnes & Noble. Lembro muito bem quando entrei lá pela primeira vez e pensei: uma cidade que tem uma livraria como essa não tem como ser um lugar ruim pra morar. Se for tudo ruim ou chato, tem esse lugar.

E no Brasil, ainda não tinha nada parecido. As Saraivas, Fnacs e etc viriam depois e mesmo assim, nunca com a mesma variedade. Além dos livros, tinha ainda uma seção de revistas e jornais do mundo inteiro, uma seção de CDs com ênfase em música clássica, uma seção infantil só de livros e brinquedos educativos, uma seção de papelaria (incrível) , outra de cartões e presentes e um restaurante - The Café - delicioso. E uma livraria com uma seção específica de livros sobre cavalos...não tem como negar, virou um dos meus points favoritos, lugar que voltaria sempre,pelo menos uma vez por semana, para passar horas e horas "browsing". Numa época que esse verbo se aplicava aos livros, e não à internet....

Eu sempre fui fascinada por livrarias, desde pequena, e meu sonho (ou um dos sonhos rs) era ser dona de uma, e com o tempo, o sonho foi se sofisticando e a minha livraria, que seria supostamente numa casinha antiga na Zona Sul, seria uma sede da Shakespeare & Co., ou no mínimo possuir a mesma atmosfera, mesmo décor da loja de Paris ou NY e o andar de cima, literalmente um quartinho com cama e tudo aonde supostamente dorme o gato da manager. Pausa pra fotos da loja de Paris:
Mesmo sem o sonho realizado, sempre que viajo, a primeira coisa que procuro nas cidades é uma livraria, e de vez em quando me surpreendo. Foi numa pequena e charmosa livraria de Tel-Aviv, por exemplo, que guardo na memória o momento mais bacana de uma viagem que fiz a Israel quando eu tinha 17 anos. Também foi nessa livraria que comprei a minha cópia dos Irmãos Karamazov, um dos meus favoritos de todos os tempos. Na minha infância, acho que quando tinha 4 ou 5, adorava um livro (que até eu aprender a ler, aos 6, alguém lia pra mim) que era sobre uma menina que pegava caxumba e ficava de cama até a chegada do médico. Queria lembrar o nome, mas me lembro dos detalhes da história e até do cheio desse livro cheio de desenhos que me fez ficar FELIZ quando eu realmente peguei caxumba. Coisas de criança. Voltemos ao diário. Eis algumas fotos.







Almoçei no restaurante dentro da livraria, no Brontë Bistro, o soup + salad special e uma Diet Coke. Comprei só alguns cadernos moleskine dessa vez, pois meu plano não era comprar nada ainda lá, já que voltaria "várias" vezes.

Andei mais um pouco pela cidade, voltei pra casa e recebi a visita da Angie, uma das minhas melhores amigas da época que eu morava lá. Adorei revê-la, passamos muitos bons momentos juntas, era sempre nós 3: eu, Clayton e Angie. Como uma vez nós nos embebedamos juntas com Chivas, no dia do show do Prince (que na época se chamava um símbolo e se referiam à ele como TAFKAP - The Artist Formerly Known as Prince - ela me trouxe, de presente, uma garrafinha de 500 ml de Chivas 24 anos, daquelas de bolso! Amei e fiquei sem coragem de dizer que depois desse porre resolvi, nunca mais, me arriscar no escocês, que a minha praia agora era vinho e cerveja. Mas é LÓGICO que não disse nada e adorei a garrafinha, que está agora no meu barzinho, e talvez nunca abra.

Demos um tempinho em casa, uma cervejinha gelada, e fomos jantar, eu Clayton e Angie, num restaurante italiano, o Puccini's. Ainda não tinha começado a fotografar meus pratos - mais adiante, nesse blog, fará parte do diário a foto de tudo que comi rsrsrs. Mas lembro que tomei Stella Artois e comi angel's hair pasta com um molho maravilhoso, mas não lembro agora. É um restaurante de rede, daqueles com 500 filiais pelos EUA, então nada de super especial a não ser uma comida bem decente.

16.1.09

Dia 1 - Lexington

Meu primeiro dia foi tranquilo. Dormi no avião no trecho Rio-Houston (thank you, Lexotan), fiz imigração e peguei o avião pra Lexington, cidadezinha do estado de Kentucky.

Foi lá em Lexington que morei durante 5 anos, de 1994 a 1998, e muita gente me pergunta porque escolhi justamente essa cidade, que poucos ouviram falar. Sempre tem alguém que me pergunta com cara de espanto "porque Kentucky?" Pois é, lá é tudo de bom. Tem o charme da cidade pequena americana, daquelas onde todo mundo se conhece, porém com o centro urbano bem desenvolvido, empresas de grande porte, (Amazon.com e Lexmark são duas que me lembro agora), e população de aprox. 250 mil habitantes. É uma cidade maneiríssima, a mistura mais perfeita do urbano e rural, e eu sou meio assim também, adoro sair da loucura da cidade (que gosto) e sem precisar longas viagens, poder ficar num lugar remotíssimo ouvindo apenas barulho dos bichos, silêncio, tudo verde, em paz.

Mas o que me fez ir pra lá, é que Lexington é a capital mundial dos cavalos: The Horse Capital of the World. Ao redor, as vezes a poucos km do perímetro urbano, estão as fazendas de cavalo mais lindas do mundo. Vastos campos de “bluegrass”, reconhecidamente o melhor celeiro para criação da raça puro-sangue inglês do mundo.

A economia da cidade gira em torno da criação dos puros-sangues (e só recentemente de empresas de tecnologia) e quem me conhece, sabe que desde que me conheço por gente sou completamente fixada em cavalos de esporte. Keeneland é lá. Os Haras mais importantes do mundo estão lá, como a Darley, a Claiborne, Lane’s End, Gainesway, Overbrook - aonde serviu o melhor reprodutor PSI dos últimos 20 anos, Storm Cat , Adena Springs, Airdrie, Coolmore Ashford, só pra citar algumas das mais conhecidas. A Copa do Mundo de Hipismo - A FEI 2010 World Equestrian Games – de todas as modalidades – será lá (eu vou!!!), no Kentucky Horse Park.

Quando fui escolher uma cidade pra fazer minha faculdade nos EUA, Lexington foi uma escolha natural. Queria estudar numa boa universidade sem perder o contato com os cavalos, que de alguma maneira ou de outra fazem parte da minha vida desde sempre, tanto como hobby como profissionalmente. Foi na University of Kentucky que me formei em engenharia de telecomunicações com "minor" em TV Studies - e em TV seguiria a minha carreira no Brasil, anos depois.

Bom, nesse primeiro dia, estava mais ansiosa e excitada do que cansada. Foram 10 anos sem voltar, e agora vou rever todos os meus amigos, os lugares que freqüentava, os cavalos.

O meu melhor amigo da época que morei lá, Clayton, até hoje meu best friend, me hospedou. Tirei algumas fotos da casinha dele, uma townhouse super charmosinha perto da Main Street, que ele divide com seu companheiro, que conheci só agora, o Jeff.

Clayton precisava trabalhar até o dia 31. Ele é responsável pela logística da TempurPedic, aquela fábrica maravilhosa de colchões e travesseiros ortopédicos.

Então, para não ficar só e ilhada em casa, já que taxi nessa cidade só chamando pelo telefone e muito caro - paguei 55 dólares por uma corrida da casa até o shopping , acabei alugando um carro. Fiz questão de alugar um carro híbrido, a nova moda nos EUA, não só pra ver qual é desses carros (curiosidade) mas porque achei interessantíssimo! At least I can really act green and not only pretend I will. Porque no Brasil nem tem como rs. Peguei um Toyota Prius, carro elétrico até 25 mph, que faz 55 milhas por galão de gasolina assim que passa dos tais 25 mph! Um absurdo de economia. E o preço da gasolina por lá, nunca esteve tão baixo, nos últimos 15 anos! Chegou a ficar caríssimo, uns 4 dólares por galão, e agora chegou ao nível mínimo (lá o preço realmente abaixa, aqui...a terra do petróleo...só aumenta). Simplesmente amei esse carro, mas só de pensar quanto ele custaria aqui no Brasil (uma fortuna proibitiva, fora o custo da “blindagem”, do seguro...) e por um momento desanimei. Todo mundo sabe que jamais moraria em outro lugar a não ser no Rio, sou carioca daquelas convicta, os 5 anos que passei nos EUA foram suficientes, mas...existem coisas de lá que sinto uma certa invejinha branca porque aqui no Rio a gente não pode ter: segurança, carros bacanas (e baratos, e sem blindagem!!! ). Ah vou confessar, amo aquele Rio de Janeiro da minha infância, da praia de Ipanema com dunas, dos vendedores de mate Leão na lata, da camaradagem, da segurança, etc. E hoje minha adoração pelo Rio é um pouco por cauda disso, ou a sombra do que ele já foi e mesmo assim nunca trocaria por lugar algum do mundo, inclusive SP, já recusei ofertas de trabalho irrecusáveis em São Paulo porque eu SEI que não seria fácil trocar o Rio por aquela selva de pedra. Aqui nessa cidade, Lexington, KY, acho que nem carro forte é blindado. Blindagem só os hummers que vão pra guerra. E mesmo assim não dá pra falar pras pessoas que carro de bacana, no Brasil, é blindado. Vai dar muito trabalho explicar o motivo e prefiro cut it short, not mention anything about this fuckin' thing.

Atravessei a Nicholasville Road, passava por lá praticamente todos os dias, pelo menos durante o ano e meio que morei numa ruazinha as margens. Fui no shopping (Fayette Mall).

A noite pedi para jantar no meu restaurante favorito, que ainda está lá, o A La Lucie’s. Como todo o meu primeiro dia de viagem, sempre acho que vou conseguir fazer uma dieta (ha ha ha), sempre com aquela boa intenção: não posso comer muito, não posso engordar! Então pedi uma salada divina com Cranberries acompanhada de um pinot noir, pois vinho tinto, no frio de 0 grau de media que viria a pegar durante essa viagem, foi um grande companheiro.

Depois do jantar, fomos no bar de uma amiga minha, a Mia. O bar possui o nome dela: Mia’s – e nunca tinha ido, pois foi inaugurado em 1999 e já tinha ido embora. É lá que viria a ser a nossa festinha de ano novo. Nessa noite, revi Mia e conheci a sócia dela, Marybeth.

Voltamos pra casa, o vinho fez sua parte e me ajudou a cair no mais profundo sono, “Jet-lagged sleepiness”, pra ser mais exata.chegando em Lexington. vista de cima, sobrevoando um dos haras. a casa do Claytona cozinha do Jeff - que é cozinheiro. a varanda freezer. o pinot noir que tomei no meu restaurante favorito, A La Lucie. best friend...at Mia's, karaoke night (rsrsrsrs). Mia's after hours.

12.1.09

Atualização Pendente ... eu sei....

CHEGUEI NO RIO. A VIAGEM FOI TUDO DE BOM. Escrevi um diário e vou postar aqui já já, estou organizando as fotos, etc.